

O Ministério Público do Maranhão promoveu na manhã de sábado, 23, na Avenida Leste Oeste, no bairro do Cohatrac, em São Luís, uma caminhada contra a violência. A ação faz parte do segundo ano da campanha “Maria da Penha em Ação: Prevenção da Violência Doméstica nas Instituições de Ensino”. A passeata reuniu centenas de pessoas e teve o objetivo de alertar a sociedade para o número crescente de agressões contra as mulheres.
A caminhada contou com representantes da sociedade civil, promotores e procuradores de justiça, professores, estudantes e ganhou a adesão de moradores do Cohatrac. A campanha é iniciativa da 15ª e 16ª Promotorias Especializadas na Defesa da Mulher de São Luís e tem como alvo a mobilização nas escolas. Por isso, foi adotada no calendário de ações institucionais permanentes do Ministério Público do Maranhão.
A escolha do Cohatrac deve-se ao fato de a região apresentar a maior incidência de violência doméstica na capital. “Registramos, na Promotoria de Defesa da Mulher, um número elevado de mulheres agredidas no eixo Cohatrac-Cohab. Com essa passeata, queremos chamar a atenção das mulheres e de toda a comunidade. A violência não pode ser tolerada”, afirmou a promotora de justiça Selma Regina Martins.
“DENUNCIE JÁ”
“As mulheres vítimas precisam denunciar a primeira agressão. Não devem esperar. Caso contrário, a situação piora e pode ser tarde demais”. Esse é o alerta da estudante * Lívia, 14, da escola Unidade Integrada Maria Pinho, no Cohatrac, que presenciou as agressões físicas do pai contra a mãe dela, quando morava no Pará.
Em 2011, as agressões se agravaram. A mãe da estudante criou coragem, denunciou o marido e se separou dele. Incorformado com a atitude da vítima, o pai a assassinou com dois tiros no meio da rua. “Minhã mãe apanhou por onze anos e ficou calada. As mulheres precisam ter força, criar coragem e acabar com isso. Jamais vou aceitar ser agredida”, alertou Lívia. O agressor nunca foi preso.
A tragédia na família da estudante é um retrato do que ocorre em outras casas. “A vítima se sente constrangida e pensa em preservar a família. Por isso, demora tanto para denunciar o agressor”, explica a promotora de justiça Márcia Haydée Carvalho.
Segundo ela, atualmente as mulheres têm denunciado mais devido as campanhas e a informação disponível. “Mesmo assim, muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades e a situação das vítimas se agrava”. A denúncia pode ser feita diretamente na Delegacia de Polícia ou pelo número 180.
A professora de ciências Raimunda Mendonça, 55, também foi vítima de violência. O marido tentou assassiná-la em 2004. Enquanto ela se recuperava no hospital, ele foi assassinado. Ela deu um recado às vítimas: “Mulher, tenha coragem! Denuncie já! Peça socorro antes que o pior aconteça!”.
PARCERIAS
A caminhada contou com a parceria da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), Secretarias de Estado da Educação e da Mulher.
* Lívia é um nome fictício, que foi adotado para preservar a identidade e a segurança da adolescente.
Redação: Johelton Gomes (CCOM-MPMA)
Fotos: Eduardo Júlio e Rodrigo Freitas (CCOM-MPMA)