


A procuradora-geral de Justiça, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro, realizou a abertura da solenidade de lançamento da campanha “Mulheres: Progresso e Cidadania. Avanços conquistados” ocorrida, na manhã desta quinta-feira, 3, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça (Centro). Compuseram também a mesa do evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a deputada estadual Eliziane Gama; a secretária de estado da Mulher no Maranhão, Catharina Bacelar; a coordenadora municipal da Mulher em São Luís, Sandra Torres; a vereadora Rose Sales; e a professora da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Lourdes Leitão.
Igualmente esteve presente na mesa a promotora de Justiça Lena Cláudia Ripardo Pauxis, diretora da Escola Superior do Ministério Público (ESMP), organizadora da campanha. Durante o evento, foram tratados os seguintes temas: programas públicos especializados em saúde da mulher, aumento da participação das mulheres na esfera de poder e no mercado de trabalho, mais espaço para as mulheres na política e crescimento da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência.
Fátima Travassos começou o seu discurso citando a ação de diversas mulheres que lutaram pela igualdade e pela justiça, como a costureira norte-americana Rosa Parks, que se recusou, na década de 50, a ceder o seu assento a um homem branco; da polonesa Irene Sendler, que salvou milhares de crianças judias durante a ocupação nazista; e de Zilda Arns, morta recentemente nos terremotos do Haiti, que desenvolveu junto à Pastoral da Criança um trabalho exemplar em favor da humanidade, especialmente, no combate à mortalidade infantil.
“O Ministério Público do Maranhão reconhece também as conquistas da mulher maranhense. Assim é que celebramos este momento, com uma reflexão sobre o aumento da participação da mulher na esfera da política e da sociedade civil organizada e de toda luta em prol de uma sociedade mais igualitária entre mulheres e homens”, afirmou a procuradora-geral de Justiça.
No decorrer de sua explanação, Fátima Travassos comentou sobre a necessidade de uma maior participação das mulheres brasileiras no campo da política. Sobre o assunto, a procuradora-geral de Justiça lembrou da realidade da Espanha, onde mais de 50% dos cargos de ministros são ocupados por mulheres. “No Brasil, obtivemos uma grande conquista com a eleição de Dilma Roussef, mas precisamos avançar mais”.
Por fim, a procuradora-geral de Justiça enalteceu a sensibilidade feminina e outras qualidades inerentes à mulher. “Contribuir para uma sociedade melhor, este é o nosso desafio”, completou.
Em seguida, foi a vez da deputada estadual Eliziane Gama tratar sobre a participação das mulheres no cenário político brasileiro. Ela também ressaltou a importância da eleição de Dilma Roussef, mas acrescentou que a participação feminina ainda é incipiente, somente 8% dos cargos são ocupados por mulheres. No Maranhão, a deputada estadual lembrou que atualmente cumprem mandato uma vereadora e sete deputadas. “”Temos uma participação ainda tímida. Precisamos avançar muito mais”.
CENÁRIO POLÍTICO FEMININO
Eliziane Gama defendeu o sistema de cotas para mulheres no cenário político e citou a Argentina como exemplo de país que assegurou a participação das mulheres na política de forma igualitária a dos homens por meio deste sistema. “Hoje 50% dos cargos são ocupados pelas mulheres. O sistema de cotas não precisa se perpetuar, mas em casos emergenciais é necessário que seja implementado”, afirmou.
Mais acadêmica e reflexiva foi a fala da coordenadora municipal da Mulher em São Luís, Sandra Torres. “Nós temos que desconstruir os preconceitos, a cultura hegemônica da desigualdade que está aí. Por outro lado, temos que construir novas institucionalidades, novos valores”.
Sandra também destacou a importância do acompanhamento das mudanças estruturais do mundo. “Precisamos nos atualizar e nos aprofundar nos conhecimentos tecnológicos, econômicos e socioculturais, porque existem no momento uma mudança de cultura e de comportamento humano”, frisou.
Para ela, a luta das mulheres desafia o capitalismo, porque propõe uma igualdade de relações com o homem economicamente dominante. “A luta das mulheres não é uma luta que todos apoiam como a causa das crianças, porque propõe uma igualdade de relações entre gêneros, o que causa um conflito”.
8 DE MARÇO
Realista e contundente, a professora da Ufma Lourdes Leitão começou alertando para a importância da data de 8 de março como marco de luta das mulheres no mundo, mas que pode se transformar em mais um período para o incentivo do consumo. “O que resultou da luta de mulheres socialistas, está sendo gradativamente desviado pelo capitalismo. A gente pode observar isso nas propagandas da televisão”.
Ela acrescentou que historicamente a mulher foi alijada do espaço público. “Temos grandes avanços, mas ainda vivemos numa sociedade sexista, preconceituosa, que estimula a desigualdade de gênero. Se não participamos da política é porque não fomos educadas para isso”, criticou.
Também discursaram no lançamento da campanha a secretária de estado da Mulher no Maranhão, Catharina Bacelar, e a vereadora Rose Sales.
HELENA HELUY
Logo após o lançamento da campanha do Ministério Público a procuradora-geral de Justiça Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro se dirigiu à Assembléia Legislativa, onde participou da homenagem a Helena Heluy, promotora de Justiça aposentada e ex-deputada estadual. Na cerimônia, a homenageada recebeu a medalha Maria Aragão.