

Em inspeção realizada na terça-feira, 15, os Hospitais Cristo Rei, São José e o Dra. Rosy Cury, conhecido como “Balsas Urgente”, todos do município de Balsas (localizado a 758km da capital), receberam autos de infração sanitária, expedidos pela Vigilância Sanitária Estadual, pelo não-cumprimento total das exigências da vistoria realizada em 2009.
A inspeção foi requisitada e coordenada pelo Ministério Público do Maranhão, como parte do inquérito Civil n° 01/2011, instaurado pelos promotores de Justiça Alessandro Brandão Marques, Ruy Antonio Carvalho Filho e Lindemberg Malagueta Vieira, com a finalidade de apurar a qualidade da prestação de serviço público de saúde à população de Balsas.
Participou da vistoria uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de engenharia, farmácia, enfermagem, entre outros. Do MPMA, esteve presente o promotor de Justiça Alessandro Brandão Marques.
Os estabelecimentos já haviam sido inspecionados em 2009, sendo que, na vistoria do dia 15, foram constatadas várias irregularidades, cuja correção foi exigida pela Vigilância em 2009. À exceção do Hospital São José, que cumpriu parte das exigências, os demais hospitais vistoriadas avançaram pouco.
Os casos mais graves são os dos Hospitais Cristo Rei e “Balsas Urgente”, cujas lavanderias tiveram o seu funcionamento imediatamente suspenso, por total falta de estrutura e irregularidades nos procedimentos de higiene. O Ministério Público e a Vigilância Sanitária constataram, entre outros problemas, que as roupas são colocadas para secar em varais a céu aberto, com os sacos plásticos que as trazem, sujas, para a lavanderia. A água das lavagens também é desprezada no meio ambiente sem qualquer tratamento.
“O reaproveitamento dos sacos plásticos que trazem as roupas sujas é um absurdo. O desrespeito ao meio ambiente é revoltante”, afirmou o promotor de Justiça.
Da mesma forma, a cozinha do Hospital Balsas Urgente teve seu funcionamento suspenso pela Vigilância Sanitária, depois de reprovada por completa falta de condições de funcionamento. “Afirmo que naquela cozinha o improviso é total e o seu ambiente, com o fogão, pia, vestuário das funcionárias e forma de armazenamento dos alimentos, parece com qualquer coisa menos com uma cozinha de hospital”, completou Alessandro Brandão Marques.
Foi confirmada, ainda, a carência de médicos, especialmente nas especialidade de ortopedia e pediatria.
AUDIÊNCIA
Uma audiência pública deverá ser marcada brevemente para divulgar à população o resultado da inspeção e cobrar do Poder Público a imediata correção das irregularidades detectadas. “Nesse momento, esperamos contar com a participação da população de Balsas para que tomem conhecimento dos fatos e cobrem, junto com o Ministério Público, uma saúde pública de qualidade”, concluiu o promotor de Justiça.