Grupos Reflexivos são ferramenta no combate à violência de gênero

Sandra Garcia defende a multiplicação da metodologia
A Escola Superior do Ministério Público do Maranhão (ESMP) promoveu, em seu canal do Youtube, nesta terça-feira, 5, a Capacitação para Formação de Grupos Reflexivos. A atividade, voltada à transformação de comportamentos sociais, foi realizada em parceria com o gabinete do procurador-geral de justiça e o Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência de Gênero – CAOP/Mulher.
A atividade objetiva oportunizar a formação de grupos de trabalho com participação de autores de violência de gênero que estejam cumprindo medidas protetivas. Além de focar em membros do MPMA, a iniciativa visa estimular a criação de grupos com outras entidades sociais parceiras.
Os grupos desenvolvem dinâmica metodológica comum, tendo de 10 a 16 encontros, dependendo de adequação em cada realidade, e atendem até 16 integrantes por vez. São abordadas diversas temáticas nos encontros, que podem ser presenciais, online ou híbridos. As ações buscam sensibilizar sobre o problema da violência de gênero e promover a cultura de diálogo e do respeito para a resolução de conflitos sem uso da violência.
Segundo a promotora de justiça Alline Matos Pires, titular da Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher de Imperatriz, o principal objetivo dos grupos reflexivos é fazer com que os autores de violência, geralmente homens, internalizem novas perspectivas na formação de uma nova cultura de paz e respeito para com a diversidade de gêneros, com enfoque, no feminino.
“As vivências são oportunidades que servem à tentativa de reverter o panorama social da cultura que temos, essencialmente machista”, afirmou a promotora de justiça.
Para a promotora de justiça e coordenadora do CAOp Mulher, Sandra Fagundes Garcia, essa iniciativa pode ser um norte para a possível multiplicação desta metodologia, tanto a nível do Ministério Público quanto das demais instituições que compõem a rede de proteção da mulher no estado do Maranhão.
“O importante é que estes momentos de reflexão sirvam a estes homens para a desnaturalização da violência contra a mulher. A nossa ideia é que o projeto se estenda por todo estado”, finalizou a coordenadora.
CAPACITAÇÃO
A primeira Capacitação para a Formação de Grupos Reflexivos do MPMA foi ministrada pela psicóloga Denyse Campos e pela assistente social Camila Castro.
Denyse Campos traçou, em sua explanação, um paralelo entre as diversas atividades que participou na implantação de grupos de reflexivos, executadas em Açailândia e em São Luís. “Não dá pra trabalhar com a questão sem envolver os homens, que são os principais autores das violências de gênero”, esclareceu a psicóloga, referindo-se ao sucesso das iniciativas ante a não reincidência no crime dos participantes dos grupos.
Camila Castro detalhou as etapas de formação, desenvolvimento e culminância de cada grupo reflexivo formado em Imperatriz, que receberam o nome “Novo Olhar”. Para ela, “a utilização da metodologia é o carro chefe do sucesso de cada uma das experiências”.
“Nos utilizamos de expedientes que promovem o entendimento do quanto a violência de gênero é prejudicial para si e para a coletividade. A experiência não se encerra ali, os grupos reflexivos acabam dotando cada um dos integrantes com um novo projeto de mudança geral”, finalizou.
A formação teve como facilitadora a promotora de justiça auxiliar da ESMP, Elyjeane Alves Carvalho, e como debatedores as promotoras de justiça Alline Matos Pires, Selma Regina Souza Martins, Sandra Fagundes Garcia e justiça Felipe Boghossian Soares da Rocha.
Redação: André Soares (CCOM-MPMA)