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SÃO LUÍS – MPMA lança projetos de fomento a sistemas de controle nos municípios

Publicado em 13/02/2023 14:41 - Última atualização em 13/02/2023 14:42

Projetos tratam da estruturação e fortalecimento de sistemas de controle e de advocacia pública nos municípios

Foi realizado na manhã desta segunda-feira, 13, na sede da Procuradoria Geral de Justiça, em cerimônia híbrida – presencial e virtual – o lançamento de dois projetos idealizados pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa (CAO-ProAd). Eles tratam da estruturação e fortalecimento de sistemas de controle interno e de advocacia pública nos municípios maranhenses. O evento contou com a participação de promotores de justiça de todo o estado.

A abertura dos trabalhos foi feita pelo procurador-geral de justiça, Eduardo Nicolau, que ressaltou a importância da parceria com os demais integrantes da Rede de Controle da Gestão Pública no desenvolvimento dos projetos. “Iniciativas como essas demonstram que no Maranhão existem instituições que querem e atuam para que os recursos públicos sejam bem utilizados”, avaliou.

A corregedora-geral do MPMA, Themis Pacheco de Carvalho, ressaltou a importância da atuação da instituição no sentido de orientar os gestores municipais, evitando a necessidade de responsabilização por erros e omissões que poderiam ter sido evitadas. A procuradora de justiça ressaltou, ainda, que todos os gestores devem atuar dentro dos ditames das leis, evitando a necessidade de responder a ações judiciais que podem levar a condenações.

A ouvidora do Ministério Público do Maranhão em exercício, Mariléa Campos dos Santos Costa, parabenizou o CAO-ProAd pela iniciativa e trouxe dados da Ouvidoria que apontam que a maior parte das demandas recebidas dizem respeito a supostos casos de improbidade administrativa. Somente nesse início de ano, já foram 767 demandas relativas a condutas de gestores e servidores públicos. “O cidadão está cada vez mais vigilante”, observou a procuradora de justiça.

O diretor da Secretaria para Assuntos Institucionais, José Márcio Maia Alves, ressaltou que as iniciativas do CAO ProAd estão diretamente ligadas à política institucional do Ministério Público do Maranhão, tendo um importante papel programático de apoio aos promotores de justiça. Para o promotor de justiça, os projetos institucionais precisam seguir determinados princípios que permitam que se vislumbrem os resultados a ser alcançados.

José Márcio Maia Alves ressaltou que as iniciativas do CAO ProAd estão ligadas à política institucional do MPMA

O assessor-chefe da Assessoria Técnica da Procuradoria Geral de Justiça, Ednarg Fernandes Marques, ressaltou a parceria firmada com o CAO-ProAd na realização de vários projetos, oferecendo apoio às Promotorias de Justiça com instrumentos e mecanismos eficientes. Para Ednarg Marques, os números analisados pela Assessoria no ano passado, nos quais 91% das contratações tinham algum tipo de irregularidade, demonstram a falta de uma estrutura de controle interno nos municípios. “Precisamos otimizar os escassos recursos públicos para atender às ilimitadas demandas sociais”, afirmou.

EXPERIÊNCIAS
O procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Jairo Cavalcanti, apresentou dados que mostram a importância das controladorias e procuradorias municipais. De 544 processos referentes a débitos já identificados pelo MPC e que deveriam ser executados pelos Municípios, apenas 18% foram respondidas.

Jairo Cavalcanti também trouxe dados sobre o Programa Nacional de Prevenção à Corrupção (PNPC) no Maranhão, estado no qual 104 municípios sequer aderiram. O Programa identificou que dos municípios avaliados, 92% têm ambiente propício a novos ilícitos.

O procurador do Município de São Luís, Alexsandro Rahbani Aragão Feijó, lembrou que é nos municípios que as políticas públicas são efetivadas, o que reforça a necessidade de que o controle dessas políticas seja feito por instituições permanentes e efetivas. O procurador observou que o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que as Procuradorias Municipais são parte da advocacia pública de estado, exigindo a realização de concurso público.

Alexsandro Rahbani observou que a Procuradoria é o órgão que aponta os caminhos adequados para os gestores e destacou que os municípios que têm Procuradorias em efetivo funcionamento são aqueles em que há a melhor aplicação de políticas públicas.

O analista ministerial José Edson Maia, da Assessoria Técnica da PGJ, apresentou o trabalho desenvolvido em parceria com o CAO-ProAd e que levou ao desenvolvimento dos projetos. O analista levantou diversas previsões legais sobre os sistemas de controle presentes na Constituição Federal, Lei de Responsabilidade Fiscal e na Lei de Licitações, entre outras legislações. De acordo com Edson Maia, a nova Lei de Licitações traz, inclusive, requisitos para os agentes públicos de órgãos de assessoramento jurídico e de controle interno.

Sobre a contratação de escritórios de advocacia e contabilidade pelas Prefeituras, a Assessoria Técnica emitiu uma nota técnica na qual afirma que é possível a realização de contratações diretas, desde que preenchidos uma série de requisitos. Posicionamentos semelhantes foram adotados pela Procuradoria Geral da República e pelo Tribunal de Contas da União.

Em um levantamento feito junto aos 25 maiores municípios maranhenses, verificou-se que 68% deles contratam escritórios enquanto apenas 28% têm servidores efetivos nas funções de controle interno. Ainda de acordo com o analista ministerial, há muitos municípios no estado que não têm previsão legal para esses órgãos e, em outros, não há dotação orçamentária para que eles funcionem.

Nahyma Abas lembrou que controle dos recursos públicos é prioridade no planejamento estratégico da instituição

A coordenadora do CAO-ProAd, Nahyma Ribeiro Abas, lembrou que no planejamento estratégico do Ministério Público do Maranhão, a sociedade apontou como prioridade a atuação no controle dos recursos públicos. Para a promotora de justiça, não há justificativas financeiras para que as Prefeituras não estruturem os seus órgãos de controle, mas sim uma resistência política.

De acordo com Nahyma Abas, a maioria dos Municípios têm servidores comissionados e escritórios contratados para a realização das atividades de controle, configurando uma verdadeira terceirização do controle interno. “Criam-se situações em que o controlado também é quem faz o controle”, observou.

Redação: Rodrigo Freitas (CCOM-MPMA)