
“O que você chama de amor?” foi o tema de uma roda de conversa promovida nesta quarta-feira, 13, pelo Ministério Público do Maranhão, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher de São Luís, como parte das atividades do Grupo Reflexivo para Mulheres.
Realizada na Casa da Mulher Brasileira, a atividade teve como mediadoras as psicólogas Rogener Costa e Eugênia Neves.
O Grupo Reflexivo para Mulheres é composto por participantes que têm ou já tiveram medidas protetivas deferidas pela Justiça, além de estudantes dos cursos de Direito, Psicologia, convidadas ou pessoas da comunidade que possuem interesse na temática.

Ainda participaram da atividade a juíza Lúcia Helena Heluy, da 2ª Vara da Mulher, e representantes da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Maranhão. A servidora do MPMA Mônica Nascimento, que coordena os grupos reflexivos da instituição, também esteve presente.
A psicóloga Eugenia Neves enfatizou que o formato de roda de conversa foi escolhido justamente para permitir que as mulheres não fossem apenas ouvintes, mas protagonistas do debate.
“A dinâmica foi pensada para que as pessoas possam contribuir, não só levar, mas também trazer o que é a experiência de um amor para elas. Queremos que elas falem livremente para que essa temática seja despertada”, explicou.
Para a especialista, o tema é urgente diante do cenário atual de relações interpessoais. “O amor é um afeto fundamental de todos nós, mas parece ser um dos assuntos mais mal-entendidos da nossa história, principalmente hoje, onde vemos o amor entrelaçado a tanto ódio e a tanta violência”, pontuou.
DINÂMICA
O ponto central da abordagem foi estabelecer uma distinção clara entre o sentimento genuíno e comportamentos abusivos. Nesta edição, a dinâmica contou com uma abordagem analítica conduzida pelas psicólogas que utilizaram a letra da música “Teresinha”, de Chico Buarque, como fio condutor para o debate.
Como estratégia pedagógica, as profissionais propuseram um diálogo direto com as participantes, incentivando-as a dissecar as diferentes facetas do sentimento amoroso presentes na composição. O foco da análise foram as formas de amor reveladas pelos personagens da canção, que descrevem tipos distintos de pretendentes.
“Nosso objetivo é trabalhar em cima do que é e do que não é o amor. Às vezes, as pessoas chamam de amor um afeto que está ali presente, mas queremos fazer com que entendam que existe um outro lado que, definitivamente, não é amor”, destacaram.

ESPAÇO DE REFLEXÃO
Os grupos reflexivos foram iniciados, no MPMA, em 2020. Desde 2023, a participação nos encontros foi ampliada ao público feminino em geral e não apenas a mulheres vítimas de violência.
As reuniões são espaços de acolhimento, nos quais as participantes dialogam sobre temas como direitos, violência de gênero e empoderamento, auxiliando-as a se reconhecerem como agentes de mudança pessoal e social.
Redação: CCOM-MPMA