
O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Seção de Saúde Funcional, realizou na manhã desta sexta-feira, 11, no auditório das Promotorias de Justiça da Capital, um evento voltado à conscientização e prevenção do esgotamento profissional e dos transtornos mentais no ambiente de trabalho. A programação contou com a palestra “A pressa adoece: uma reflexão sobre burnout, rotina e saúde mental”, ministrada pela médica psiquiatra Camila Vale Porto.
O encontro reuniu membros, servidores e gestores da instituição com o objetivo de debater o impacto do modo de vida acelerado, a sobrecarga de demandas no cotidiano e os caminhos para a promoção do bem-estar no ambiente do trabalho.

Na abertura do evento, a psicóloga e coordenadora da Seção de Saúde Funcional, Daniela Salomão, agradeceu a presença dos participantes e destacou que a busca de equilíbrio deve ser uma constante na vida de cada pessoa. Também esteve presente a nutricionista Lilian Fróes, uma das organizadoras da atividade.
Em seguida, o procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, enfatizou a importância de promover debates e ações para prevenir o aumento de casos de ansiedade, depressão e esgotamento dos servidores e membros. Ele alertou sobre os malefícios do isolamento proveniente do uso exagerado das ferramentas digitais e redes sociais. “Vamos continuar apoiando todas as iniciativas para promover o bem-estar no Ministério Público do Maranhão”.

BURNOUT
Camila Vale Porto conceituou burnout como um fenômeno ocupacional decorrente do estresse crônico vivenciado no contexto laboral. A psiquiatra é graduada pela Universidade Federal do Pará, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e preceptora da residência médica em Psiquiatria da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão.
A médica destacou que a preservação da saúde mental no ambiente de trabalho não se limita a um dever estritamente individual, exigindo responsabilidade compartilhada e ajustes estruturais por parte das instituições. Segundo a especialista, cabe às administrações fixar limites operacionais claros, estabelecer horários definidos de expediente, coibir comunicações profissionais fora da jornada e estipular metas compatíveis com a capacidade de execução dos trabalhadores.
No âmbito individual e interpessoal, a palestrante recomendou a prática regular de atividades físicas, a busca por acompanhamento psicoterápico ao surgirem sintomas de exaustão, a manutenção de rotinas de sono reparador e a reserva de tempo livre para o lazer e a convivência familiar.
“O sistema produz um trabalhador exausto que culpa a si próprio pela sua exaustão. Precisamos reavaliar esse comportamento e buscar equilíbrio”, refletiu a palestrante.
Ela também ressaltou a importância de manter ambientes organizacionais fundamentados no diálogo respeitoso entre níveis hierárquicos, na distribuição equilibrada de atribuições e na prevenção rigorosa de episódios de violência psicológica e assédio moral.

Redação e fotos: CCOM-MPMA