Foi reinaugurada na manhã desta quinta-feira, 7, no campus da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), a Usina de Beneficiamento de Leite de Cabra. Instalada em 2008, por meio de parceria entre a Prefeitura de São Luís, Fundação Banco do Brasil, Banco do Brasil e a própria Uema, a usina nunca chegou a funcionar de fato, frustrando as expectativas dos produtores que seriam beneficiados pela iniciativa.
A reinauguração da usina foi viabilizada depois que os produtores, capitaneados pela sua associação, acionaram o Ministério Público para reclamar da situação. Após uma primeira audiência, realizada em agosto deste ano na 5ª Promotoria de Justiça Especializada em Fundações, que tem como titular a promotora de justiça Sandra Lúcia Mendes Alves, foi promovida uma audiência pública na Uema, com a participação de todos os parceiros.
Na ocasião ficou acertada a preparação de um Termo de Ajustamento de Conduta, assinado no dia 21 de setembro, em que a Prefeitura de São Luís e os outros órgãos interessados se comprometeram a reativar a usina.
O projeto beneficia 42 famílias de pequenos produtores, atendidas pelo Programa Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil. São moradores da Cidade Operária, Quebra-Pote, Calembe, Cassaco, Tajipuru 2, São Brás e Macaco, comunidades localizadas na zona rural de São Luís. A previsão inicial é de que a usina faça o beneficiamento diário de cerca de 100 a 150 litros do leite de cabra, em sintonia com os padrões de qualidade da Vigilância Sanitária.
Presente à solenidade de reinauguração, a produtora Ildenê Carvalho, há 20 anos no ramo, acredita na viabilidade do projeto. “Meu futuro são as cabras”, disse, esperançosa. Ela tem 10 cabras leiteiras, que produzem cerca de 20 litros por dia. Outro produtor que também está animado com a reativação da usina é o José de Ribamar Ferreira de Oliveira, da comunidade Calembe. Dono de oito cabras, que produzem de oito a dez litros por dia, planeja aumentar o rebanho em breve e viver exclusivamente da produção de leite caprino. “Meu sonho é poder fazer com esse trabalho minha independência no futuro”.
A promotora de Justiça Sandra Mendes Alves comemorou a parceria do Ministério Público com os demais envolvidos. “É uma vitória de todos, e sem dúvida quem vai ganhar é a sociedade”, enalteceu. Ela ainda pediu a todos os presentes que divulguem a existência da usina e atraiam consumidores para o consumo do leite de cabra em São Luís. “Eu vou fazer a minha parte”, prometeu.
O secretário municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Júlio França, revelou seu entusiasmo e sua crença na viabilidade do projeto. “Por enquanto, é a Prefeitura quem banca (o projeto), mas no futuro ele tem que se tornar autossustentável”.
Representando a Câmara de Vereadores de São Luís, a vereadora Rose Sales (PcdoB) parabenizou a todos e falou do potencial transformador de ideias como essas. “É um projeto que propicia mudança de vida, por isso tem de ser apoiado, acima de questões políticas”.
FUNCIONAMENTO – Na usina, o leite de cabra produzido nas comunidades passará por todo um processo de beneficiamento até ficar pronto para ser comercializado, de acordo com os padrões de qualidade exigidos pela Vigilância Sanitária. Seis profissionais vão trabalhar no local, a princípio das 7 horas até o meio-dia, para atender os produtores.
A veterinária Elba Pereira Chaves, do Serviço de Inspeção Municipal, explicou as etapas do processo de beneficiamento, depois que o leite chega até a usina. Primeiro, é feita a pesagem e a identificação do produto, para verificar o criador que está sendo atendido.
Em seguida, os técnicos procedem a coleta para análise de acidez, filtragem, pasteurização, empacotamento e resfriamento.