https://www.mpma.mp.br
Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para o rodapé Redireciona o usuário para a página inicial Redireciona o usuário para a página de acessibilidade

Notícias

Promotora Ana Luiza Almeida Ferro é destaque na História em Curso

Publicado em 04/07/2012 09:48 - Última atualização em 03/02/2022 17:07

Oficial-Ana3A edição nº 8 da revista História em Curso (Editora Minuano), cujo tema de capa é “Gângsters – Os 14 mais poderosos da história”, apresenta uma entrevista com a promotora de Justiça Ana Luiza Almeida Ferro, do Ministério Público do Maranhão. O registro da conversa com a mestra e doutora ocupa sete páginas da publicação (da 10 à 17), nas quais a autora do livro “Crime organizado e organizações criminosas mundiais” discorre sobre esta temática que intriga e assusta a todos.

Na entrevista, Ana Luiza Ferro revela detalhes sobre as relações das organizações criminosas com o Poder Público e com empresas, entidades e instituições da sociedade e do Estado. Também discorre sobre o conceito de organizações criminosas, a origem dos grupos e sobre a corrupção como motor de sobrevivência das organizações. A promotora de Justiça apresenta, ainda, o modo operacional e as atividades dos grupos na Itália, Estados Unidos, Rússia, China, Japão, México e Brasil e suas conexões internacionais.

Igualmente são abordadas as ligações dos grupos com o tráfico de drogas, venda de armas, jogos de azar, assassinatos, prostituição e com o tráfico de pessoas.

“As organizações criminosas, também chamadas de máfias, não se confundem com simples quadrilhas, porque apresentam, por exemplo, conexão estrutural ou funcional com o Poder Público, como autoridades públicas e políticos. Outro atributo diferencial é a ligação estreita das organizações criminosas com o sistema econômico, propiciando a formação de um mercado econômico ‘paralelo’ e a infiltração na economia legal, pelo uso de empresas legítimas, entre outros, de lavagem de dinheiro”, frisou Ana Luiza Almeida Ferro na entrevista.

Sobre as organizações criminosas brasileiras, a doutora explicou que o crime organizado surgiu no país, nos anos 70, por meio do Comando Vermelho, criado após o convívio de presos políticos de esquerda com presos comuns.

ORIGENS

A entrevistada conta detalhes, também, sobre a formação da Máfia americana, que se originou da Máfia italiana, sendo integrada por gângsters históricos como Al Capone, Lucky Luciano, Frank Costello e Vito Genovese, alguns cujo nome se tornou famoso mundialmente por meio dos filmes de Hollywood. “A atuação do gângster de outrora pouco se difere da do criminosos de hoje: o objetivo principal ainda é o lucro, aliado ao escopo do poder”.

Mas Ana Luiza Ferro contesta o estereótipo criado pelo cinema, que consagrou o gângster original como sendo sempre um cidadão ítalo-americano, que se trajava como um bem-sucedido homem de negócios, às vezes de forma espalhafatosa. Ao longo da entrevista, inclusive, ela cita a figura de Arnold Rothstein (1882-1928), judeu ortodoxo americano, que inseriu o crime organizado nos Estados Unidos na era moderna. “Mesmo no passado, o gângster podia ser de qualquer nacionalidade. E, ontem, como hoje, inexiste um perfil monolítico ou um padrão único de comportamento para o criminoso organizado”.

No final, a autora destacou que, na atualidade, as organizações são formadas também por criminosos de colarinho branco, a exemplo de autoridades públicas envolvidas em esquemas de corrupção ou políticos ligados a milícias. “Não nos esqueçamos, entretanto, que o gângster não é apenas o criminoso do tipo ‘Poderoso Chefão’, o assassino impiedoso, o traficante de drogas mexicano ou o colombiano das telas do cinema, mas também qualquer outra figura que integre uma organização criminosa”.

 

Redação: Eduardo Júlio (CCOM – MPMA)