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SÃO LUÍS – Acessibilidade nos prédios da PGJ e Promotorias de Justiça é avaliada em inspeção

Publicado em 03/05/2024 15:49 - Última atualização em 28/11/2024 09:28

Vistoria foi coordenada pelo Núcleo de Acessibilidade

O Núcleo de Atuação Especial de Acessibilidade (NAEA) do Ministério Público do Maranhão realizou, na manhã desta quinta-feira, 2, inspeção nas sedes da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) e das Promotorias de Justiça, no Calhau, em São Luís. O grupo inspecionou as calçadas, o acesso aos prédios, o trajeto entre eles e as áreas internas. O objetivo foi detectar as barreiras arquitetônicas a serem eliminadas.

A vistoria faz parte de um conjunto de ações para ampliar a acessibilidade e garantir que produtos, serviços e ambientes possam atender às necessidades de todas as pessoas, independentemente do tipo de deficiência e de dificuldade de locomoção. Também foi avaliada a funcionalidade e a localização de móveis, bebedouros, placas, torneiras, dispensadores de papel, de sabonete e de álcool em gel.

Vilson Higgs (de pé) e Dylson Bessa (direita) avaliaram as barreiras arquitetônicas

Além dos obstáculos de acesso, o MPMA busca estabelecer um fluxo de atendimento especializado para eliminar as barreiras atitudinais e comunicacionais na instituição. Está prevista a criação de uma Central de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para atendimento ao público e a adequação dos conteúdos do portal na internet para pessoas com deficiência visual, por meio da audiodescrição das imagens.

Acesso externo foi verificado pelo grupo

AVALIAÇÕES

A fisioterapeuta Mayra Karinne Almeida é surda e participou da vistoria, destacando a necessidade de tradutores de Libras em todos os espaços públicos. “Precisamos quebrar essas barreiras. Precisamos de acessibilidade aqui em São Luís, nos locais que a gente busca atendimento e informações. O intérprete deveria estar em todos os lugares, nos hospitais, nos órgãos públicos e também no Ministério Público”.  

Mayra Karinne (direita) cobrou presença de intérpretes nos órgãos públicos

Na avaliação do ator, diretor de teatro e consultor de audiodescrição Vilson Moraes Higgs, é essencial lembrar do lema da pessoa com deficiência: “nada sobre nós, sem nós”. “Ao participar de uma inspeção como essa, trazemos a orientação do dia a dia, suplementando a norma técnica brasileira. Nosso objetivo é trazer a experiência para contribuir com a universalização da acessibilidade”, afirmou.

Instalações da PGJ foram avaliadas

Em relação à estrutura dos prédios da PGJ e Promotorias de Justiça, Vilson Higgs observou que alguns pontos possuem acessibilidade e outros ainda precisam ser adaptados. “Sugerimos placas de orientação, totem para que nós, com deficiência visual, possamos identificar os espaços. Nos banheiros é preciso referenciar melhor vasos e barras de apoio. Precisamos de pisos com orientação direcional e placas de indicação dos espaços”, completou o consultor.

BARREIRAS E ACESSIBILIDADE

Segundo Higgs, a primeira barreira a ser rompida é a barreira atitudinal. “O Ministério Público, ao dar início a essa visita técnica, demonstra ter interesse em fazer adequações nos seus espaços para que todos tenhamos acesso. Isso faz com que nos sintamos, de fato, inclusos na sociedade. É isso que a gente busca”.

Funcionalidade dos banheiros foi avaliada

O historiador Dylson Bessa tem tetraplegia e percorreu os dois prédios e os acessos externos em sua cadeira de rodas para indicar os pontos mais críticos. Os principais problemas detectados foram falta de rampas e descontinuidade de acesso entre calçadas.

Nos banheiros, a altura do dispensador de papel e de sabonete restringe a autonomia dos cadeirantes. Nos mesmos espaços, as barras de segurança precisam ser readequadas para garantir mais proteção aos usuários.

Vilson Higgs conferiu a sinalização em braille

Ele também indicou que os bebedouros instalados no MPMA não permitem que uma pessoa com movimentos limitados nos braços se sirva sozinho, pois o mecanismo de abertura é acionado mediante movimentos circulares e poderia ser acionado por pressão.

“Aqui a gente está corrigindo algumas falhas comuns nos espaços que estão ficando acessíveis. A acessibilidade é uma coisa dinâmica e é preciso reajustar pontos. As condições gerais de autonomia e segurança o Ministério Público tem”, observou Dylson Bessa.

Nas áreas externas, de acordo com Bessa, é preciso adaptar o calçamento, criar rotas acessíveis entre os prédios com autonomia e segurança. De acordo com ele, é preciso sinalizar melhor e os avanços são importantes, mas sem esquecer do treinamento dos funcionários.

“A pessoa é uma pessoa antes da deficiência. A deficiência está com ela, mas não é ela, não a define. Os funcionários precisam entender como orientar o cego, como receber uma pessoa surda, como montar e desmontar uma cadeira de rodas, como lidar com esse público”.

Integrantes do NAEA participaram da vistoria

A visita técnica teve a participação dos promotores de justiça Alenilton Santos da Silva Júnior (Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência), José Márcio Maia Alves (coordenador do NAEA) e Ronald Pereira dos Santos (1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Pessoa com Deficiência de São Luís).

Redação e fotos: Johelton Gomes (CCOM-MPMA)