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MPMA pede interdição parcial do Socorrão II

Publicado em 25/03/2010 11:32 - Última atualização em 03/02/2022 16:46

A direção do Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, tem 20 dias para sanar as irregularidades nos setores de nutrição enteral e enfermarias da clínica cirúrgica. Nas demais instalações, o prazo para corrigir os problemas detectados é de 90 dias. O Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão I, também tem 90 dias para se adequar às condições sanitárias. O prazo foi estabelecido pela Promotoria de Defesa da Saúde na última quarta-feira (24/3) após a entrega dos relatórios emitidos pela Vigilância Sanitária Estadual (SUVISA).

A inspeção nos hospitais foi realizada no dia 18 de março e os problemas mais graves foram detectados no Socorrão II. No setor de nutrição enteral, que é responsável pela produção da alimentação administrada por sonda, aos pacientes impossibilitados de comer, foram detectados problemas no fluxo de limpeza. Faltam instrumentos adequados de higiene como torneiras e dispensadores para detergente. Os profissionais que manipulam os alimentos também não dispõem de toalhas descartáveis, armários e uniformes esterelizados.

“O setor precisa de um cuidado específico, pois os pacientes que recebem esse tipo de alimentação estão em estado de saúde delicado e grave”, explicou a funcionária da SUVISA Mary Pinheiro. Além disso, o hospital não apresentou análises de controle da água, agravando o risco de contaminação.

A equipe da Vigilância Sanitária constatou, ainda, que todas as enfermarias dos diversos setores de internação apresentam condições insalubres, especialmente da clínica cirúrgica. “As condições são graves e exigem mudanças urgentes”, informou o promotor de Justiça Herbeth Costa Figueiredo.

No laudo, a SUVISA classifica as condições a que os pacientes são submetidos no Socorrão II como “sub-humanas”, pois “os pacientes se encontram, muitos nos corredores e em macas de transporte até mesmo sem colchão, enfermarias sem climatização e sem troca de ar, ambientes infiltrados, materiais para a saúde contaminados em locais com fungos na internação, falta de desinfecção adequada de mobiliários e equipamentos”.

No Socorrão I, foram detectados problemas na Central de Material Esterilizado (CME) onde faltam insumos para limpeza de artigos utilizados e ausência de manutenção de equipamentos. Outro grave problema é a falta de monitoramento do processo de esterilização, agravando o risco de contaminação dos pacientes.

No centro cirúrgico, a permanência na sala de recuperação anestésica ameaça “seriamente a vida dos pacientes ali expostos”, informa, no laudo, a SUVISA. O risco é causado pela ausência de médico, equipamentos, recursos humanos e rotinas para evitar a contaminação na UTI.

Redação: Johelton Gomes (CCOM – MPMA)