
Foi realizada na última quarta-feira, 9, na Câmara Municipal de Riachão, uma audiência pública que discutiu a questão da segurança pública no município e em Feira Nova do Maranhão, que é termo judiciário da comarca. Participaram representantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Ordem dos Advogados do Brasil, Prefeitura e Câmara de Vereadores de Riachão, Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, Banco do Brasil e Bradesco.
Representando o Ministério Público do Maranhão, estiveram presentes os promotores de justiça Antonio Lisboa de Castro Viana Júnior, que responde pela Comarca de Riachão; José Cláudio Cabral Marques, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Controle Externo da Atividade Policial (CAOp-CEAP), que representou a procuradora-geral de justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha; e Carlos Rafael Bulhão, da comarca de Balsas, representando a Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem).
Os assaltos e explosões de caixas eletrônicos nos dois municípios estiveram entre os temas abordados durante a reunião. De acordo com o gerente do Banco do Brasil, Rafael Leite Figueiredo, a agência de Riachão está entre as três com maior incidência de ataques entre as 4.800 agências do banco em todo o país.
O banco Bradesco também tem sido alvo de ataques na região. Segundo o gerente Paulo Tavares de Lira Neto, a regional de Imperatriz já registrou 12 explosões de caixas eletrônicos. Em Riachão, houve um incidente em março de 2013. Já em Feira Nova do Maranhão, o último caso foi registrado em janeiro de 2012.
SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA
Para os gerentes, é constante a sensação de insegurança entre os funcionários das instituições bancárias, que muitas vezes passam os finais de semana em outras cidades por medo de serem sequestrados junto com suas famílias.
O presidente da Associação do Comércio de Riachão, Américo Coelho de Sousa, ressaltou que além da sensação de insegurança, a sociedade é penalizada e o comércio local sofre prejuízos ao ter que realizar transações bancárias e comerciais em outras cidades.
Representante do Comando Geral da PM, o coronel Auceri Becker Martins informou que os bandos monitoram a sociedade e funcionários de bancos, chegando aos municípios com força armada maior que a existente. De acordo com o coronel, o ideal seria a presença de um policial para cada 300 habitantes, mas a realidade é que há apenas um policial para cada 930 habitantes.
O comandante do 4° Batalhão da PM, Cláudio Roberto Farias, ressaltou que foram disponibilizados dez policiais para Riachão, além de duas viaturas e duas motocicletas. O comandante afirmou, ainda, que são feitas rondas noturnas para monitoramento dos bancos.
PANORAMA
O coordenador do CAOp-CEAP, Cláudio Cabral, apresentou diversos dados estatísticos sobre o sistema de segurança no Maranhão, a partir de um diagnóstico que vem sendo elaborado pelo MPMA. Atualmente, o estado conta com apenas 8.337 policiais militares, e, do total de 217 municípios, 125 não possuem delegados de polícia.
O promotor enfatizou, também, o crescimento da demanda pela atuação da PM a partir das quintas-feiras, motivado em grande parte pelo maior consumo de bebidas alcoólicas. O comandante Claudio Farias afirmou que a diminuição de festas tem reduzido a incidência de crimes e acidentes automobilísticos na cidade, ressaltando a importância de que a comunidade denuncie os locais de venda de drogas, para que a polícia possa agir no combate ao tráfico.
Para o promotor Cláudio Cabral, é importante que se pense em ações integradas com a sociedade, inclusive com a criação de um Conselho Municipal de Segurança.
Ao final da audiência, o prefeito de Riachão, Crisógono Rodrigues Vieira, apresentou a proposta de permuta de um terreno com o Estado para a imediata instalação de um batalhão de polícia, cuja instalação já está prevista.
O juiz Alessandro Arrais Pereira, que conduzia a audiência, determinou que fossem enviados ofícios sobre a realização da audiência pública à governadora do Estado, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Comando Geral da PM, Delegacia Geral da Polícia Civil e Delegacia Regional de Polícia Civil, para que sejam tomadas as providências cabíveis para a resolução dos problemas.
Redação: Rodrigo Freitas (CCOM-MPMA)